O ditador deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, refutou na segunda-feira, 5/1, as acusações de envolvimento com narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e uso de armamento pesado. Durante a audiência de custódia, no Tribunal Federal do Distrito Sul de Manhattan, em Nova York, Estados Unidos, Maduro disse ser inocente, qualificando a si mesmo como um “prisioneiro de guerra” e um “homem decente”.
“Sou inocente. Não sou culpado. Sou um homem decente”, afirmou Maduro ao juiz Alvin Hellerstein, que conduziu a audiência de pouco mais de meia hora. “Ainda sou presidente do meu país”, acrescentou o venezuelano após alegar que foi sequestrado por militares americanos.
Em 13 anos de poder de Maduro, morreram 38 mil venezuelanos na ditadura, 7 milhões fugiram da opressão e 60% da população (25 milhões) estão na pobreza extrema
Durante a audiência, Maduro e a mulher, Cília Flores, foram oficialmente notificados das acusações feitas por autoridades dos EUA. Elas acusam membros do governo venezuelano, como o ministro do Interior, Diosdado Cabello, de se valerem dos cargos para favorecer o “transporte de milhares de toneladas de cocaína para os Estados Unidos”, beneficiando-se da “corrupção alimentada” pelo narcotráfico.
Maduro e integrantes da equipe negam as acusações. Segundo o ditador deposto, o real objetivo do governo de Donald Trump é se apoderar dos recursos minerais estratégicos venezuelanos, destruídos por ele e a gestão. A Venezuela é hoje a dona das maiores reservas de petróleo do mundo, além de deter grande quantidade de gás e ouro. Especialistas também questionam a falta de provas do envolvimento de lideranças venezuelanas com o tráfico de drogas, destacando que o país não é um produtor de cocaína.
O venezuelano e a mulher foram mantidos presos após a audiência de custódia. Os dois estão no Centro Metropolitano de Detenção, em Manhattan, desde que o líder chavista foi deposto e sequestrado por meio de uma operação militar que o governo americano promoveu no último sábado, 3/1, sem a autorização do Congresso dos EUA ou do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas).
O centro de detenção temporária fica a oito quilômetros de distância do tribunal federal, onde Maduro e Cília chegaram sob um forte esquema de segurança. Além de curiosos e jornalistas, dois grupos se aglomeraram do lado de fora do centro de detenção desde as primeiras horas da manhã: um favorável à manutenção da prisão do presidente venezuelano e outro que pedia a libertação.
Defesa de Maduro
Por indicação da própria Justiça americana, Maduro e Cília foram acompanhados na audiência por um advogado local, David Wikstrom. Segundo o jornal The New York Times, Maduro também será defendido pelo advogado Barry Pollack.
Wikstrom é um conhecido criminalista que já atuou em casos que despertaram a atenção midiática, como o processo que resultou na condenação do ex-presidente de Honduras Juan Orlando Hernández por acusações semelhantes às feitas contra Maduro (narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e uso de armamento pesado). Já Pollack tornou-se mundialmente conhecido ao assumir a defesa do fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, nas cortes dos EUA.
Após o fim da audiência de custódia, a defesa informou que, no momento, não pretende pedir a libertação de Maduro e de Cilia sob fiança, mas disse que não descarta fazê-lo posteriormente. O juiz federal Alvin Hellerstein marcou uma segunda audiência para o dia 17 de março.
Fonte: Conjur

