Uma das maiores redes de supermercados e atacarejo do país decidiu pisar no freio, fechar unidades e reduzir milhares de postos de trabalho no Brasil. A medida faz parte de uma ampla reorganização interna que mudou o ritmo de expansão da companhia.
O movimento atingiu o Grupo Mateus, gigante do varejo alimentar com forte presença no Norte e no Nordeste. A empresa encerrou 30 lojas e reduziu o quadro de funcionários em cerca de 7 mil pessoas entre 2025 e o primeiro trimestre de 2026.
A decisão chama atenção porque a rede vinha crescendo em ritmo acelerado nos últimos anos, com abertura de lojas, avanço em novos estados e consolidação entre os maiores grupos supermercadistas do país.
Agora, a prioridade mudou. Em vez de seguir apenas com expansão, a companhia passou a concentrar esforços em eficiência, corte de custos, melhora das margens e fortalecimento das unidades consideradas mais rentáveis.
A reestruturação aparece principalmente no número de funcionários. Em cerca de um ano, o Grupo Mateus saiu de aproximadamente 47,9 mil colaboradores para 41,2 mil.
Na prática, a redução representa o corte de quase 14% da força de trabalho. Além das demissões, a empresa também decidiu fechar lojas que não apresentavam o desempenho esperado dentro da nova estratégia.
As mudanças atingiram operações em estados onde o grupo tem presença importante, como Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Piauí e Sergipe.
Mesmo com o fechamento de unidades, a empresa segue entre os maiores nomes do setor no Brasil, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo. A diferença é que, neste momento, o foco deixou de ser apenas crescer em número de lojas.
Grupo muda estratégia no Brasil
Durante anos, o Grupo Mateus chamou atenção pelo avanço rápido no varejo alimentar. A empresa abriu supermercados, atacarejos e centros de distribuição, ganhou força regional e ampliou sua presença após chegar à Bolsa de Valores.
No entanto, a fase atual indica uma mudança clara de rota. A companhia passou a avaliar com mais rigor cada operação, observando rentabilidade, custos, localização, fluxo de clientes e potencial de retorno.
Com isso, lojas consideradas menos eficientes foram encerradas. Ao mesmo tempo, a rede tenta fortalecer unidades com melhor desempenho e tornar a operação mais enxuta.
A empresa ainda pode abrir novas lojas no Brasil, mas a expansão deve seguir um ritmo mais seletivo. Cada novo projeto tende a passar por análise mais cautelosa antes de sair do papel.
Fechamento não significa crise de faturamento
Embora tenha fechado 30 lojas e cortado mais de 7 mil empregos, o Grupo Mateus continua registrando números bilionários.
A receita bruta consolidada chegou a R$ 43,5 bilhões em 2025, segundo dados divulgados ao mercado. Já no primeiro trimestre de 2026, o lucro superou a marca de R$ 2 bilhões.
Isso mostra que a reorganização não ocorreu simplesmente por falta de faturamento. O fechamento das lojas faz parte de uma estratégia para aumentar eficiência e melhorar a rentabilidade da operação.
Fonte: Tempo Novo
