Relatório aponta melhora em 71% dos indicadores analisados, mas alerta para aumento da diferença entre ricos e pobres
O Brasil registrou avanços em áreas, como emprego, renda, segurança alimentar, educação, saúde e meio ambiente, mas ainda convive com desigualdades estruturais que limitam a distribuição desses ganhos entre a população. É o que aponta a quarta edição do relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades, divulgada ontem, no Salão Nobre do Congresso Nacional, em Brasília.
Ao analisar os números referentes ao ano de 2025, o levantamento aponta o agravamento da concentração da renda. O relatório registra que o Brasil chegou em 2024 com um IDHM (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal) de 0,805, “ingressando, pela primeira vez, no grupo de países com muito alto desenvolvimento humano“.
Segundo o relatório, no entanto, o rendimento médio do 1% mais rico — que em 2024 era 30,2 vezes superior ao dos 50% mais pobres — passou a ser 31,5 vezes maior, “evidenciando que os ganhos do crescimento econômico continuam sendo apropriados de forma altamente concentrada“.
No mercado de trabalho, revelam os números, as mulheres seguem com remunerações inferiores às dos homens. “A situação das mulheres negras permanece a mais desfavorável: além de receberem pouco mais de 40% do rendimento dos homens não negros, continuam atuando nos segmentos de menor remuneração“.
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Produzido pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), o relatório é uma iniciativa do Observatório Brasileiro das Desigualdades, criado em 2023, a partir do Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades. A iniciativa reúne organizações e redes da sociedade civil, associações de municípios, centrais sindicais, entidades de classe e representantes dos três Poderes.
O levantamento divulgado ontem atualiza 48 indicadores sociais, econômicos, ambientais e políticos referentes ao país. Os dados são organizados em oito áreas temáticas e consideram recortes de renda, raça/cor, gênero e território. Segundo o balanço, 71% dos indicadores apresentaram melhora em relação ao período anterior. Seis registraram piora e cinco permaneceram praticamente estáveis.
“O conjunto dos indicadores revela que o Brasil voltou a apresentar avanços sociais importantes, mas também confirma que a redução das desigualdades continua sendo o principal desafio para o desenvolvimento do país. Os resultados reforçam que crescimento econômico, geração de empregos e ampliação da renda, embora fundamentais, não são suficientes por si só para superar desigualdades estruturais construídas historicamente“, indica o documento.
Entre os resultados positivos estão a redução da taxa de desocupação, que chegou a 5,6%, o aumento do rendimento médio real e a queda da pobreza monetária. O relatório também registra redução da insegurança alimentar moderada e grave, queda do analfabetismo e aumento da frequência de crianças em creches. Na área ambiental, houve diminuição das emissões de gases de efeito estufa e do desmatamento.
A população negra continua em situação desfavorável na maior parte dos indicadores analisados. Norte e Nordeste, por sua vez, permanecem concentrando os piores resultados sociais em diferentes áreas.
Entre os indicadores que pioraram estão ainda o peso do aluguel sobre a renda das famílias, o número de pessoas vivendo em áreas de risco geológico e a participação da população negra no sistema prisional. Já a escolarização líquida no ensino fundamental, o acesso à internet e a progressividade da tribu

