Não funcionou ainda a amizada (?) de Xi Ji-ping, ditador chinês, com o suposto democrata Luiz Inácio da SIlva (Lula)
A China passará a aplicar, a partir desta quinta-feira, 1º/10, uma tarifa adicional de 55% sobre a carne bovina brasileira que ultrapassar a cota anual destinada ao país. O limite de 1,1 milhão de toneladas foi alcançado na quarta-feira, 30/9, acionando o mecanismo de salvaguarda previsto no acordo bilateral. Com isso, as exportações brasileiras acima desse volume ficarão sujeitas a uma alíquota total de 67%, somando a tarifa padrão de 12%.
A decisão ocorre em um contexto de queda nos preços domésticos da carne bovina na China. Dados do Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China mostram que o preço médio da carne bovina no atacado chinês acumulou uma queda superior a 20% nos últimos dois anos, caindo de picos próximos a 83 yuan/kg para patamares de 62 a 65 yuan/kg em 2026. Essa pressão de mercado levou o governo chinês a adotar medidas para conter a oferta externa e sustentar os produtores locais.
Impacto imediato nas exportações brasileiras
A carne bovina desossada e congelada do Brasil desembarcou nos portos chineses (preço CIF) em patamares médios entre US$ 4.300 e US$ 4.800 por tonelada ao longo do primeiro semestre de 2026. Convertida e acrescida apenas da tarifa padrão de 12%, a carne brasileira chegava ao atacado chinês custando cerca de 38 a 42 yuan por quilo, valor significativamente menor que o custo de produção da carne nacional chinesa (acima de 55 yuan por quilo equivalente carcaça).
Essa vantagem competitiva permitiu ao Brasil ampliar sua participação no mercado chinês nos últimos anos.
Com a nova tarifa, o cenário muda drasticamente. Ao somar a alíquota de 55% (totalizando 67%), o preço de entrada da carne brasileira salta para o equivalente a 60 a 65 yuan por quilo, igualando ou superando os preços internos da China e neutralizando a vantagem competitiva do produto importado. Para os exportadores brasileiros, isso pode significar redução nas vendas para o principal destino da carne bovina nacional.
Contexto da política chinesa de autossuficiência
A medida está alinhada com as metas do Plano Quinquenal chinês. O governo chinês estabeleceu como meta estratégica manter o índice de autossuficiência em carnes vermelhas em pelo menos 70% a 75% do consumo nacional. Para atingir esse objetivo, a China tem adotado barreiras tarifárias e não tarifárias para limitar as importações e estimular a produção doméstica.
As importações chinesas de carne bovina cresceram de menos de 1,5 milhão de toneladas em 2018 para cerca de 2,7 a 2,8 milhões de toneladas nos anos recentes. O Brasil passou a responder por mais de 40% de todo o suprimento externo absorvido pela China, consolidando-se como o maior fornecedor. A aplicação da tarifa adicional deve reduzir a participação brasileira no curto prazo, afetando frigoríficos e pecuaristas que dependem do mercado chinês.
Comparação com outros fornecedores
Outros países também estão sujeitos ao mecanismo de cota. A cota anual do Uruguai no mecanismo chinês é de aproximadamente 300 mil toneladas. Como o Uruguai utilizou cerca de metade desse limite até o terceiro trimestre de 2026, havia uma sobra teórica de 150 mil toneladas. Isso indica que o Uruguai ainda pode exportar dentro da cota sem tarifa adicional, ao contrário do Brasil, que já esgotou seu limite.
Essa diferença pode levar importadores chineses a buscar carne de outros fornecedores, como Uruguai, Argentina ou Austrália, para evitar a tarifa elevada. Para o Brasil, a perda de competitividade no curto prazo pode resultar em excedente de oferta no mercado interno e pressão sobre os preços ao produtor.
Efeitos para o agronegócio paulista
Embora a produção de carne bovina esteja concentrada em estados como Mato Grosso, Goiás e Pará, o impacto da medida chinesa pode reverberar em toda a cadeia produtiva, incluindo frigoríficos e indústrias de processamento localizadas no interior de São Paulo. Empresas da região noroeste paulista, como Araçatuba, Birigui e Penápolis, que atuam no fornecimento de insumos, logística e serviços para o agronegócio, podem sentir os efeitos indiretos da redução nas exportações.
Além disso, a queda na demanda externa pode levar a um redirecionamento da carne para o mercado doméstico, aumentando a oferta e potencialmente reduzindo os preços ao consumidor final. No entanto, para os produtores, a margem de lucro tende a diminuir, o que pode afetar investimentos e empregos no setor.
Perspectivas para os próximos meses
A aplicação da tarifa adicional de 55% deve vigorar até o final do ano, quando a cota será renovada. A fonte não detalhou se haverá revisão do limite para 2027. Enquanto isso, os exportadores brasileiros precisarão buscar mercados alternativos ou negociar contratos com preços mais baixos para compensar a tarifa.
Para o comércio e a indústria do interior paulista, o cenário exige atenção. A dependência do mercado chinês para a carne bovina brasileira é significativa, e mudanças na política comercial chinesa podem ter efeitos em cascata sobre a economia regional. A recomendação de entidades como a ACIA é que as empresas acompanhem de perto as negociações bilaterais e diversifiquem seus mercados para mitigar riscos.

