O CEO do grupo Latam, Roberto Alvo, afirmou que mudanças tributárias em discussão no Brasil podem elevar o preço das passagens aéreas e defendeu políticas públicas para ampliar o potencial de crescimento da aviação no país. Em entrevista exclusiva ao UOL durante o Wings of Change Americas, conferência da Iata (Associação Internacional de Transporte Aéreo) realizada em Santiago (Chile), o executivo também disse que o Brasil ainda explora apenas parte do mercado aéreo e turístico e que o grupo quer ampliar a quantidade de cidades atendidas com a entrada dos aviões da Embraer na frota.
Segundo o executivo, o plano de investimentos de cerca de US$ 4 bilhões que a empresa realiza no Brasil entre 2023 e 2026, valor que inclui a expansão da frota, o reforço das rotas internacionais com aeronaves Boeing 787 e a manutenção de estruturas estratégicas da empresa, como o centro de manutenção em São Carlos (SP), é um reflexo da importância do Brasil para o grupo.
Alvo afirmou que o país segue como mercado prioritário para o grupo, mas disse que o crescimento do setor depende de fatores estruturais, como políticas públicas para turismo, melhorias de infraestrutura aeroportuária e um ambiente tributário mais competitivo.
Reforma Tributária
Outro ponto de preocupação para o setor aéreo é a reforma tributária em discussão no Brasil. Segundo o executivo, a proposta de criação de um IVA (Imposto sobre Valor Agregado) de 27% sobre o transporte aéreo internacional não encontra paralelo em outros países.
Turismo e potencial subutilizado
Na avaliação do executivo, o Brasil ainda explora apenas parte do potencial de sua aviação comercial, especialmente no mercado internacional. Segundo Alvo, o país transportou 129,6 milhões de passageiros no último ano, mas recebe apenas cerca de 9 milhões de turistas estrangeiros, número considerado baixo para um destino com dimensões continentais e grande diversidade de atrações.
“Ultrapassamos 100 milhões de passageiros no ano passado, mas o Brasil recebe apenas cerca de 9 milhões de turistas internacionais. Para um país das dimensões do Brasil, é muito pouco“, afirmou. Para Alvo, o país poderia crescer significativamente caso adotasse uma estratégia de longo prazo para promoção internacional do turismo.
Fonte: Uol

