Abstenção virou tema central para o segundo turno da disputa ao Planalto do Planalto, mas índices seguem história de 2018 e 2022
Enquanto Flávio tenta evitar debandada de apoiadores por clima de “já ganhou”, Lula quer convencer quem não compareceu às urnas e foca nas redes sociais
A disputa pelo segundo turno da eleição presidencial passa pela mobilização dos eleitores que já escolheram um candidato no primeiro turno e pela conquista de quem ainda está indeciso ou pretende mudar de voto. Enquanto o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu que seus apoiadores voltem às urnas em 25 de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um apelo para que os eleitores que não compareceram à primeira votação participem do segundo turno.
Abstenção
Em 2018, houve aumento em relação ao primeiro turno daquele ano, que havia registrado 20,3% de abstenção (29,9 milhões de eleitores). Em 2022, mais de 32 milhões de eleitores não compareceram às urnas no 1º, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O nível de abstenção, de 20,9%, é o mais alto desde as eleições de 1998, quando 21,5% do eleitorado não votou. Em 2026, o índice foi de 21,08% que representa o segundo maior índice de ausência em eleições gerais desde 1998, mas entre 20,5% a 21,90%. Então, é natural a ausência nas eleições nacionais.
Campanhas
Em live, Flávio afirmou que a eleição não está decidida e alertou para o risco de parte de seus eleitores deixar de comparecer às urnas por considerar a vitória garantida. O senador também destacou que pessoas que não votaram no primeiro turno podem participar do segundo. “A gente não tem eleição ganha. Todo mundo que foi votar e deu voto de confiança em Flávio Bolsonaro, por favor, no dia 25 de outubro compareçam às urnas de novo“, pediu.
O candidato reforçou que a mobilização precisa continuar mesmo entre os eleitores que já declararam apoio a ele. “Tem muita gente que votou no primeiro turno e, no segundo turno, acha que já está tranquilo e não vai votar. Gente, pelo amor de Deus, não façam isso“, afirmou.
Lula também colocou o combate à abstenção entre as prioridades da campanha para o segundo turno. “Uma coisa que eu e o Alckmin vamos fazer é um apelo. É que nós tivemos mais de 30 milhões de pessoas que não compareceram para votar”, afirmou, reforçando, ainda, as entregas da gestão.
Na campanha petista, ainda, o deputado federal André Janones (Rede-MG) defende uma estratégia centrada na atuação coordenada de apoiadores nas redes sociais. “Não estamos nos anos 80 mais, estamos em 2026. É aqui que a coisa é decidida. A gente perdeu o primeiro turno só na rede social“, comentou.
Segundo o cientista político Murilo Medeiro, o período mais curto de campanha exige dos candidatos maior precisão nas estratégias, já que há pouco tempo para ampliar o apoio e pouca margem para erros. “O segundo turno é uma eleição muito mais curta e intensa no confronto dos dois polos políticos. É uma eleição em que os candidatos têm pouco tempo para conquistar novos votos e praticamente nenhum espaço para cometer erros”, aponta.
Nesse cenário, a tendência é de uma campanha mais agressiva, com o confronto entre os candidatos ganhando força. Para Medeiro, a disputa deve se concentrar cada vez mais na rejeição ao adversário. Enquanto Lula tende a explorar o medo de uma mudança de governo, Flávio Bolsonaro deve apostar no desejo de mudança entre os eleitores.
Fonte: Correio Braziliense

