Chefe da diplomacia de Washington, cobra ação internacional contra o regime de Daniel Ortega, que anunciou o fim das eleições. Por sua vez, o secretário-geral da OEA acusa o presidente nicaraguense de “abandonar a democracia”
Washington e a OEA (Organização dos Estados Americanos) condenaram o anúncio do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, de proibir a realização de eleições no país da América Central.
Enquanto isso, no Brasil, Lula, amigo pessoal do ditador de 80 anos, e o Itamaraty, por enquanto, nada falaram nem condenaram o fim das eleições na Nicarágua. Alias, em entrevista há 30 anos, Lula disse que eleições são uma “virgula” na democracia, ou seja, nada muda sem elas que muitas vezes prejudicam.
A decisão busca anular a oposição e representa uma escalada autoritária sem precedentes em Manágua. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o governo de Donald Trump e a comunidade internacional “não ficarão de braços cruzados enquanto a ditadura Murillo-Ortega aprofunda a repressão e fabrica uma instabilidade que ameaça a segurança nacional dos EUA”.
“A promessa de Ortega de abolir as eleições na Nicarágua comprova sua covardia e seu medo da vontade do povo nicaraguense“, destacou o chefe da diplomacia da Casa Branca, em uma publicação na rede social X. Em outra manifestação, por meio de um comunicado, Rubio disse que “a declaração de Ortega de que a Nicarágua jamais realizará eleições novamente demonstra sua verdadeira natureza autoritária“. Ele pediu à comunidade internacional que “una forças” para mostrar à “ditadura que ela não pode continuar fingindo que nada está acontecendo“.
Alberto Randim, secretário-geral da OEA, disse que o regime nicaraguense “abandonou a democracia e até mesmo sua aparência“. “A eliminação das eleições constitui a negação definitiva do direito soberano do povo de escolher o seu governo. Eleições livres, justas e periódicas não são opcionais; são um elemento essencial da democracia representativa. A erosão da democracia em qualquer país das Américas nunca é uma questão exclusivamente interna. Ataques às instituições democráticas nacionais têm consequências regionais, minam a governança democrática e afetam a estabilidade e os valores compartilhados do Hemisfério“, comentou.
Ex-preso político, líder da oposição e do partido Ruta del Cambio (“Rota de mudança”), Félix Maradiaga afirmou ao Correio que a reação dos EUA é “oportuna e necessária”. “O fato de o Departamento de Estado chamar as coisas pelo seu nome e falar de uma ditadura familiar tem peso real. Durante anos, Ortega apostou em passar despercebido e em convencer Washington de que a Nicarágua não merecia atenção. Ao ligar a repressão e a instabilidade causadas pelo regime à segurança regional, Rubio mina essa estratégia“, acrescentou.
Fonte: Correio Braziliense

