Veredito foi definido na terça-feira depois de dois dias de julgamento no Fórum Ruy Barbosa
Os acusados pelo assassinato da líder quilombola Mãe Bernadete foram condenados na terça-feira, 14/4, após julgamento no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador. A decisão foi tomada pelo conselho de sentença ao fim do segundo dia de júri.
Arielson da Conceição dos Santos e Marílio dos Santos foram sentenciados a 40 anos, 5 meses e 22 dias de prisão e 29 anos e 9 meses de prisão, respectivamente. Eles ficarão detidos em regime fechado. Cabe recurso.
O julgamento foi concluído após a fase de debates, quando acusação e defesa apresentaram suas alegações aos jurados. O Ministério Público sustentou a condenação com base nas provas reunidas durante a investigação, enquanto a defesa tentou afastar a responsabilidade dos acusados.
Arielson é apontado como executor do crime, e Marílio foi identificado como mandante. Marílio está foragido e foi representado no julgamento por advogado.
Crime chocou o país
Mãe Bernadete foi assassinada em 17 de agosto de 2023, na comunidade de Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador.
Ela foi morta dentro da própria casa, na presença de três netos. Reconhecida como uma das principais lideranças quilombolas da Bahia, atuava na defesa do território e contra a presença do tráfico de drogas na região.
As investigações apontaram que essa atuação pode ter motivado o crime.
Outros três denunciados, Sérgio Ferreira de Jesus, Josevan Dionísio dos Santos e Ydney Carlos dos Santos de Jesus, ainda serão submetidos a julgamento.
Sensação de Justiça
Filho de Mãe Bernadete, Jurandir Pacifico se manifestou sobre a condenação dos mandantes do crime e afirmou que está aliviado com a decisão da Justiça.
“É um momento que a família pacífico se sente, pelo menos hoje, com cumprimento de justiça, que não houve impunidade nesse crime, como o de meu irmão, Bill do Quilombo, que está impune até o dia de hoje”, disse ele ao portal A Tarde.
“Quando a juíza falou que Arielson foi condenado há 40 anos, 28 anos pelo crime brutal e mais 12 pelo roubo dos celulares, e Maurílio, vulgo maquinista, o mandante, que foi condenado a 29 anos, nós da família pacífica tivemos a sensação de que a justiça está sendo feita”, concluiu.
Fonte: A Tarde
